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ROBERTO LAURINDO- RADIOAMADOR BRASILEIRO

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PRAIA GRANDE, SÃO PAULO, Brazil
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quinta-feira, 6 de agosto de 2009

O RADIOAMADOR PY1EGK- ILSON DE OLIVEIRA FONTES 1º TEN DO EXÉRCITO BRASILEIRO E SEU MAGISTRAL TEXTO SOBRE O CW

RADIOAMADOR,
SE VOCÊ AMA O QUE FAZ,
SEJA RADIOAMADOR AMIGO DO EXÉRCITO,
E PARTICIPE NA DEFESA DA PÁTRIA.
BRASIL ACIMA DE TUDO!

Transcrevo aqui o EXELENTE,texto de autoria de nosso amigo radioamador Ilson de Oliveira Fontes – 1º Ten- PY1EGK.
Nele podemos constatar que o CW ESTÁ MAIS VIVO DO QUE NUNCA TANTO NO RADIOAMADORISMO MUNDIAL COMO TAMBEM NAS FORÇAS ARMADAS.
Agradeço ao TEN. Ilson de Oliveira Fontes o oportuno e esclarecedor texto com que nos brinda.


A Telegrafia nos Dias Atuais

Antecedentes

.Quando Samuel Finley Breese Morse, em 1844, inventou o
Código Internacional Morse, nunca imaginou o quanto era importante a
sua invenção para a humanidade. Estava criada uma nova linguagem
que atravessaria os séculos XIX e XX, sendo utilizada até os dias de
hoje.
No Brasil, a 1ª ligação telegráfica ocorreu em 11 maio 1852,
entre o Paço Imperial, na Quinta da Boa Vista (RJ), e o QG do Exército,
no Campo de Santana (RJ), tendo como operadores pioneiros o
Professor Guilherme Schuch Capanema e o Coronel Polidoro
Quintanilha da Fonseca Jordão. Começavam os relevantes serviços da
Telegrafia para o Exército Brasileiro e para o Brasil.
O marco inicial do emprego do Telégrafo elétrico em
combate, foi no conflito travado na península da Criméia (Ucrânia),
entre a Rússia e a coalizão liderada pela França e Inglaterra (1854-
1856).
Na Guerra do Paraguai, com a nomeação do Marquês de
Caxias, como comandante em chefe brasileiro, em 10 outubro de 1866,
uma das primeiras providências tomadas foi instituir um sistema
telegráfico de campanha, o que viria facilitar a coordenação das Forças
Aliadas nas manobras de HUMAITÁ e PIQUICIRI, que selou a sorte do
ditador paraguaio.
A criação da Companhia de Telegrafistas Militares, em 1875,
fazendo parte do Batalhão de Engenheiros, foi EMBRIÃO DA ARMA
DE COMUNICAÇÕES.
A importância da telegrafia nas 1ª e 2ª guerras mundiais foi
tão grande que os serviços de inteligência dos aliados, alemães e
japoneses trabalhavam 24 horas por dia procurando decifrar os
“códigos” empregados na transmissão do código Morse.
Na revolução de 1964 (ou contra-revolução), considerando as
dimensões do vasto território brasileiro e as dificuldades nas
comunicações da época, os contatos em telegrafia e teletipo realizados
pelos sargentos do então QRE (Quadro de Radiotelegrafistas do
Exército) foram de vital importância para o Alto Comando alcançar os
objetivos desejados, mantendo, além da integração, evitando uma luta
fratricida, as ligações permanentes e seguras com todas as OM
(Organizações Militares), inclusive isoladas, como os pelotões e
destacamentos de fronteira.


Desenvolvimento

Apesar do avanço tecnológico, particularmente em
Informática (computadores, internet, etc.), a telegrafia ainda hoje é
utilizada entre radioamadores, e segundo pesquisas de países
considerados de 1º mundo, o tráfego de mensagens em CW no leste
europeu é muito grande, mostrando que essa modalidade de
transmissão não foi abandonada por nações mais adiantadas
tecnologicamente.
Os radioamadores exploram a telegrafia em contatos
internacionais, facilitados pelo uso do código “Q”, tornando possível a
comunicação em qualquer idioma.
Nos recentes terremotos na Turquia e Índia, quando todos os
meios de comunicações estavam prejudicados, os radioamadores,
tanto em fonia como em telegrafia, lá estavam com pequenos
geradores e baterias improvisadas ajudando os governos daqueles
países no socorro e resgate das vítimas.
No editorial do Informativo nº 47 do PRC (Pioneiros Rádio
Clube) de Recife, escrito pelo Radioamador PR7-OJ, resumimos o
seguinte:
“Na tragédia da Ásia, com o terrível maremoto que atingiu
vários países logo após a passagem do TSUNAMI, as torres de
celulares, microondas, de televisão e de rádios comerciais estavam no
chão, com as centrais de operações inundadas e sem antenas. Foram
os radioamadores com seus SSB e CW que estabeleceram as
primeiras ligações entre cidades e até países. Em algumas localidades
como Nicobar e Andaman, foram os radioamadores que estavam
fazendo uma expedição àquelas raríssimas ilhas, que estabeleceram
comunicação entre as ilhas e a Índia. Trabalharam dias, com seus
equipamentos e baterias, já que a ilha foi praticamente destruída e
estava sem energia elétrica. Foram supridos com novas baterias pelo
próprio Exército indiano, que reconheceu o relevante serviço prestado
pelos radioamadores operando em SSB e Telegrafia (CW)”.
O editorial em referência faz alusão ao filme “Independence
Day”, quando os satélites foram danificados pelos “ alienígenas ” e as
comunicações só foram restabelecidas pelo “velho CW” (Código
Morse).
Também não podemos esquecer a tragédia do submarino
nuclear russo, quando os tripulantes davam desesperadamente batidas
interna e externamente no casco do navio tentando se comunicar em
Código Morse.
Na Revista Eletrônica Popular (volume 125 – nº 1), na Seção
dedicada aos apreciadores de CW, com o título “A TELEGRAFIA VAI
LONGE!”, descrita pelos radioamadores PP5 AS/PP2 XX/Es 6VV,
transcrevemos o seguinte:
“Faz poucos dias que recebi um e-mail com a seguinte
notícia: W4ZW copiou a palavra OMAHA (em Código Morse) de um
beacom em 80 metros, que transmitia com 40 microwatts de potência,
a 875 Km de distância. Realmente impressionante! Sabe o que são 40
microwatts? Um milliwatt é um milésimo de watt. Um microwatt é um
milésimo de milliwatt ou um milionésimo de watt.
Em primeiro lugar deve ter havido um bom receptor, com
excelente sensibilidade de entrada. Em segundo lugar, deve ter havido
uma excelente antena, bem sintonizada e com o mínimo de perdas. Em
terceiro lugar não teria recebido nada se a transmissão não tivesse
sido em CW (TELEGRAFIA).
Embora atualmente o GPS (Global Position System) seja
amplamente utilizado, os radiofaróis/radiobalisas em todo mundo ainda
orientam a navegação, em ondas longas, com 2 ou 3 letras de sinais
telegráficos, recebidos por radiogoniômetros.
Ex: IT (Ilha Trindade), IH (Ilha Rasa), CAX (Caxias), PP
(Ponte Costa e Silva), etc.
Durante a operação combinada entre as Forças Armadas,
polícia Federal, Polícia Militar, Polícia Civil, IBAMA, FUNAI e Ministério
Público Federal, realizado em 2001, no Estado de Pernambuco
(polígono da maconha), denominada Operação Mandacaru, o Centro
de Comunicações da operação tanto operava em fonia como em
telegrafia.
Atualmente, o emprego do telegrafista nas operações de
selva, tem sido uma constante por parte do Cmdo da 12ª RM (Manaus-
AM), tendo em vista as dificuldades de comunicações naquela área.
Transcrevemos abaixo a experiência do Subtenente
Radiotelegrafista Mascarello em missão (anos 2002-2003) de selva:
“A experiência por nós vivida foi no emprego do conjunto rádio
Yaesu FT600, um transceptor com potência de saída de 10 watts.
Inicialmente a unidade de fronteira a qual pertencia 2ª Cia Fzo SL,
localizada na linha de fronteira com a Bolívia e o Peru, que é
subordinada ao 4º BIS, localizado em Rio Brando-AC, executava
missões de patrulhamento na linha de fronteira, e naquela
oportunidade todos os equipamentos rádios disponíveis não estavam
em condições de uso. Partimos então para improvisação utilizando o
rádio Yaesu com uma fonte de alimentação de uma bateria de moto
de aproximadamente 12 volts. O material é destinado para ficar em
uma bancada com ar condicionado e iria para uma missão de selva.
Fizemos uma preparação do material em uma mochila com isopor e
carregamos duas baterias de moto e mais a antena, uma dipolo
(bipolar) dividindo assim o material entre os integrantes da patrulha.
Nossa autonomia para contatos com a base para o monitoramento
da patrulha era de aproximadamente 30 (trinta) contatos de 01 (um)
minuto, isto é, 30 (trinta) minutos reais para uma semana de
deslocamento onde tudo pode acontecer e é imprescindível o
resgate de feridos ou mortos e tudo mais uma vez dependia da
telegrafia. Na prática foi tudo mais difícil ainda, pois andando o dia
todo fazendo os contatos e montando a base para dormir, a rotina
diária foi desgastante, mas obtivemos êxito, pois com o binômio
telegrafia e a utilização de códigos para diminuir o tamanho das
mensagens conseguimos ampliar o número de contatos, pois
economizamos bateria e tivemos a autonomia para a transmissão
das mensagens. Tudo foi relatado e passado para o papel.
Atualmente, em qualquer missão na Amazônia, o telegrafista
continua sendo empregado e quando nada mais falar ou sofrer
interferência por parte de guerra eletrônica, a telegrafia, com baixa
potência para transmitir e receber mensagens a longa distância,
ainda é a melhor opção para o êxito da missão, com segurança.”
Alguns Oficiais das Nações Amigas (ONA), em visita à
Escola de Comunicações, particularmente a Sala de Telegrafia,
demonstraram conhecimento do Código Morse, especialmente o
representante francês que além de transmitir em CW, admitiu que o
Exercito Francês usa a telegrafia como alternativa nas comunicações.
Temos conhecimento que tropas de Forças Especiais
(Comandos) de países com tecnologia avançada utilizam a telegrafia
em operações com mensagens pré-estabelecidas.
Considerando os radioamadores brasileiros reserva das
forças armadas, o Exército, por intermédio da Escola de
Comunicações, realiza anualmente na semana que comemora o “DIA
DO SOLDADO” (25 de agosto) ,o tradicional CONCURSO VERDE-
AMARELO (CVA), tendocomo principal finalidade promover o
congraçamento entre civis e militares.
O CVA é de âmbito nacional e a participação dos
radioamadores individualmente, nos clubes, agremiações ou nas
estações militares é bastante competitiva tanto em fonia como em
grafia (CW), tendo ambas as modalidades 24 horas ininterruptas de
contatos.
O CIGE (Centro Integrado de Guerra Eletrônica), ratificando a
importância da telegrafia na Guerra Eletrônica moderna, já cogitou,
pelo então Cel Com QEMA HUMBERTO JOSÉ CORRÊA DE
OLIVEIRA, o estudo da telegrafia entre seus oficiais, visando a
identificação dos sinais telegráficos.
No âmbito do Exército Brasileiro, os Centros de Telemática
de Área têm a responsabilidade pela manutenção ininterrupta das
comunicações dos Comandos Militares em todo território nacional
(inclusive as Unidades de fronteiras) e, para tanto, a Escola de
Comunicações continua especializando combatentes de comunicações
em telegrafia para sua Rede Rádio Fixa. Esses operadores, além da
prioridade na transmissão de dados via HF, têm no Código Morse uma
alternativa para que não haja solução de continuidade no fluxo de
mensagens.
Na virada do ano 1999 para 2000, no famoso “Bug do
Milênio”, a preocupação com aparelhos computadorizados, levou as
autoridades civis e militares a se precaverem de qualquer
anormalidade adotando medidas de segurança nas comunicações,
entre as quais a telegrafia estava incluída.

Conclusão

Modernamente, com o advento da Guerra Eletrônica, o
conhecimento do Código Morse cresce de importância, pois além de
ser um sinal inteligível em ambiente de interferência, é um dos mais
baratos para comunicações em ambiente hostil.
Por tudo isso, acreditamos que a Telegrafia é uma alternativa
para as nossas comunicações e uma forma de comunicação confiável
em ambiente de selva.
Ilson de Oliveira Fontes – 1º Ten.PY1EGK

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